quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

DIA 04/02/2012 - A DESCOBERTA

Madrugada de domingo para segunda... Foi tudo muito rápido. De repente, eu estava tomando um banho quente, chorando, tentando me fazer acreditar que, de fato, ia ter um filho. O teste de farmácia lá, com aquelas duas linhas quase roxas de tão vermelhas, jogando na minha cara a falta de responsabilidade em não ter usado camisinha. O choro ainda era bem controlado, talvez porque eu achasse que aquilo tudo não passasse de um erro. E foi um erro, um erro meu. Diante da situação, não havia nada em que eu pudesse pensar. Minha cabeça pesava e eu só indagava questionamentos estúpidos acerca da veracidade daquele pedacinho de papel. Vim para a frente do computador, meu amigo em muitos momentos. Abri o facebook e contei para minha melhor amiga. Em seguida, para um melhor amigo. Precisava saber a opinião de um homem sobre isso. Afinal de contas, teria que contar para o "sortudo" da vez que iria se tornar pai, e não seria uma das tarefas mais fáceis da minha vida. Demorei para conseguir dormir. Deitava a cabeça no travesseiro e milhões de coisas me vinham à tona. Quando acordei, fui trabalhar no home office da minha casa. Eu, nervosa, trêmula, tentava contatar o pai, um espanhol 13 anos mais velho, que não morava aqui e, como eu já imaginava, não queria ser pai no momento. Nos conhecemos no réveillon, e uma química muito forte nos fez passar a sentir algo a mais um pelo outro. Não posso dizer que o amo, nem que ele me ama, pois estaria mentindo. Mas sinto que ele gosta de mim, e gosto dele também. De toda a forma, não me sentia bem em ter que admitir que teria um filho de um cara que conheci há um mês atrás. Isso me preocupava muito. Além de ter 19 anos, estou no início da minha caminhada profissional. Tenho um emprego bacana, que me faz bem, estudo cinema e tudo o que não queria no momento era ter que assumir uma responsabilidade que pudesse atrapalhar tudo o que estou vivendo. Mandei algumas mensagens para o parceiro, que retornou preocupadíssimo assim que pôde. Acabei contando por facebook. Coisa ridícula de se fazer, pensei. Mas não conseguia falar nada, parecia que havia um sapo entalado na minha garganta. Não saía nada, nada! E aí, de repente, na hora do almoço comunico meu pai que preciso falar urgente com ele, mas que não queria que fosse aqui em casa, não queria que ninguém soubesse. Ele conta o ocorrido para a minha madrasta, e ela vem ao meu quarto, já entrando com a pergunta que me matou todos esses dias: "Você está grávida?". Só consegui massagear minhas têmporas enquanto ficava virada de costas para ela. Não podia olhar nos olhos de ninguém, acabaria confirmando tudo. Mas nem precisei, ela matou a charada. Falou que já sabia... Estávamos fazendo uma viagem em família pelos USA e eu disse que minha menstruação estava atrasada. Tinha também muitas dores no útero, dores de cabeça e comia demais. Ao fim da viagem, senti nojo de todos os perfumes do freeshop. Sentia tontura com todos os cheiros! Mesmo assim, jamais imaginei que estivesse grávida. Agora entendo todas as mães, jovens ou não. É difícil, muito difícil. Se estou no começo disso tudo e já me sinto assim, imagine mais para a frente. Enfim, depois meu pai veio conversar comigo, e foi melhor do que eu esperava. Ainda assim, foi um dia em que chorei muito e fiquei tristíssima. Ainda não conseguia enxergar a maternidade como uma coisa muito positiva na minha vida, por estar em um momento nada propício para isso. Ah, como é difícil! Tudo o que eu conseguia pensar era: será que um dia vai valer a pena?

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